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  • Carol Yu

Será que você tem sido empático mesmo?



A ponta do iceberg da empatia


Um tempo atrás participei de uma semana da saúde de uma empresa, em que estava promovendo ações de conscientização sobre saúde física e mental. Em um dado momento, conversamos sobre as relações dentro das equipes, com colegas e mentores. Uma das perguntas que fizeram foi como ajudar quando alguém não está bem. E, a resposta imediata de várias pessoas foi ter empatia e escutar. Até aí, eu estava super feliz com a resposta, achando que meu trabalho estava mais fácil. Mas, compreendi um pouco o grande desafio também do exercício de empatia.


“- Eu vi um colega muito estressado, que não estava bem e fui conversar com ele. Mostrei empatia porque sei que todos estávamos muito sobrecarregados com um prazo de entrega do projeto. E daí eu comecei a mostrar o que ele podia fazer, como ele poderia lidar.

-Como você fez isso? - eu perguntei
-Ah eu falei de como eu lidei com a situação e aconselhei que ele deveria tentar fazer assim também, porque funcionou muito bem comigo. E, que se ele tentasse, eu tinha certeza que ele ia ficar bem”

Para muitas pessoas naquela sala, isso foi um exemplo exemplar de demonstração de empatia. seguido de comentários como “nossa, você fez bem”, “que legal da sua parte ajudar ele”. E eu fiz duas perguntas a ela, que não soube bem responder:

1. Você perguntou como ele estava ou o que estava sentindo quando foi conversar com ele?

2. como ele estava enquanto ela dava os conselhos?


Acho que a iniciativa de reconhecer que o colega não estava bem é um primeiro passo de um acolhimento compassivo e corresponsabilidade. Mas, vamos analisar um pouco mais aprofundadamente, o que aconteceu nesta cena, e o que podemos aprender com os outros 2 tipos de empatia: a emocional e a compassiva.


Os outros tipos de empatia...

O exemplo acima mostra apenas 1 das empatias, a empatia cognitiva, que é a capacidade de reconhecer cognitivamente que o outro está com algum incômodo, desconforto porque eu sei que isso existe: “eu sei o que você sente”. É um certo alívio saber que outros também passam ou sentem o que eu sinto, que não estou sozinho e não é algo apenas “da minha cabeça”.


A 2a empatia, a empatia emocional é a capacidade de sentir o que o outro sente. Aqui, às vezes as pessoas confundem a famosa frase de “estar na pele do outro” - que foi o que aconteceu. Estar na pele do outro não significa que o outro sente da mesma forma, processa da mesma forma aquele incômodo como você. Você não é o outro, mas você sabe sentir emoções como o outro.


No exemplo citado, houve essa confusão da empatia emocional e daí uma sobreposição entre o eu e o outro. O foco que estava no outro, no estresse do colega, passou a ser para si mesmo, sobre a sua capacidade de manejo de estresse e como quem estava ajudando conseguiu ter sucesso em um tarefa que estava sendo extremamente difícil para o colega que estava angustiado.


É muito difícil a gente exercer duas funções ao mesmo tempo, por mais que a gente queira ser multi-tarefa. Escutar e falar são duas funções impossíveis de acontecer ao mesmo tempo. Ou você escuta ou você fala. Se neste momento, os seus conselhos, as suas falas atropelam a sua escuta do que o outro está sentindo, desviam da sua observação de conexão do que o outro está sentindo, então não há mais a empatia, porque não há mais o outro, e sim o eu.


Então, cuidado ao exercer a empatia emocional - esteja presente para o outro, e para o que o outro precisa, não para o que você acha que ele precisa.


E, por último, a empatia compassiva, que é como se fosse a junção das 2 empatias citadas anteriormente. Somente quando reconheço o outro (cognitivo), sinto uma conexão (emocional), estou “em=pathos”, é que eu posso me sentir movido pelo outro e para o outro. Essa é a forma mais saudável da empatia, sem um atropelamento cognitivo ou emocional de saberes e respostas para as angústias do outro.



Notas da Neurociência

A capacidade de olhar para alguém e sentir empatia é possível por meio de alguns neurônios especiais, chamados de neurônios espelhos. Ao olhar outra pessoa, estes neurônios tentam repetir o que estão vendo. Eles são muito atuantes na infância, por isto as crianças aprendem imitando ( e geralmente são mais empáticas que adultos). Conforme crescemos acabamos inibindo as ações destes neurônios, por decisões mais voluntárias. Como continuamos tendo os neurônios espelho, que nos ajuda a aumentar ou exercitar a empatia, vamos fazer de forma mais intencional para aprimorar nossas capacidades e ainda desenvolver a empatia compassiva.



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