Buscar
  • Carol Yu

O que você anda filtrando?


Se você está andando na rua e se depara com esta cena, o que te chama atenção? Eu posso ouvir diferentes respostas:


1) “Estacionamento lotado, não tem vaga para parar!”;

2) “Nossa diferentes tipos de rodas de carro!”;

3) “Uma casa amarela!!!”


O que vai determinar as diferentes respostas é o que chama atenção no momento. Eu poderia facilmente pensar na frase 1 se fosse um dia que saí para fazer compras de Natal, a frase 2 se eu estivesse pensando em trocar as rodas do meu carro, ou a frase 3 se eu estivesse procurando casa para morar.


Pois é, estamos expostos a muitas informações simultâneas ao redor e nosso cérebro precisa filtrar, precisa escolher o que é importante ou não. O interessante é que boa parte disso estamos fazendo no automático. Fazemos e nem percebemos. Não necessariamente dá errado, mas podemos usar a nosso favor se soubermos como tudo acontece.


Como funciona o filtro

O filtro seleciona as informações ao nosso redor para enviar para nossa consciência. Isto é necessário porque sem o filtro teríamos uma super estimulação, um excesso de informações que não seria útil. Então este filtro só deixa passar o que ele entende que é importante.


Esta escolha do que é importante ou não é feita por estímulos externos e outros internos. A intensidade das informações, é algo que chama atenção, como por exemplo um ruído alto, um cheiro de algo queimando. Agora existem estímulos internos que também ajudam este filtro a deixar ou não a informação entrar e virar consciente. Estes estímulos internos são crenças que temos ou pensamentos do momento. Enquanto você lê este texto, se eu pedir para você perceber se tem algum som ao redor, automaticamente sua atenção fica voltada para os sons e você conseguirá distinguir uns 3 ou 4 sons que você nem estava percebendo.


Ou seja, podemos direcionar o filtro para captar informações que eu quero ou preciso, ajudando a melhorar o foco. Se o nosso filtro só deixa passar algo que nos chame atenção. A maioria de vocês já deve ter brincado de procurar por carros vermelhos na rua, e neste momento aparecem muitos carros vermelhos. Isto acontece porque estamos determinando para o filtro o que eu quero que ele deixe passar.


Redirecionando o filtro: foco para potencializar o que precisamos e queremos

Da mesma forma que determinamos que o foco é carro vermelho, podemos determinar um tema que seja algo importante para mim no momento. Claro que nem sempre é algo concreto, muitas vezes o que precisamos pode ser um tema que estamos estudando e algo queremos aprender mais. Quando eu estudei Ergonomia, tudo que eu olhava eu via ergonomia, assim como agora tudo que eu vejo é socioemocional. Isto por que eu estou com a atenção voltada para estes assuntos.


É muito importante saber que é assim que funciona, porque este filtro na maioria das vezes faz tudo isto sem que a gente mande ele fazer algo, ele filtra baseado em nossos pensamentos e crenças. Exemplos: Se estamos envolto em pensamentos de discussões, o filtro facilita a passagem de situações que levam a brigas. E para sair deste looping somente mudando o que o filtro vai deixar passar, ou seja somente trocando o foco da nossa atenção. Para isto temos que dar uma nova direção para o filtro de forma intencional e racional. Pensar em assuntos diferentes e prazerosos.


O filtro é algo que existe, acontece com todos. Podemos usá-lo para potencializar o que precisamos ou queremos. Tudo que focamos aumenta, desde o número de carros vermelhos, como oportunidades de novas amizades, algum tema de estudo, etc.


Além disto, DEVEMOS ficar atentos quando o nosso foco está ajustando o filtro para situações que são desgastantes, que trazem estresse, tristeza e afins. Em situações patológicas do funcionamento do cérebro, ou de doenças como ansiedade e depressão, talvez haja necessidade de ajuda externa para ajuste do foco e do filtro. Ajuda profissional e até de remédios.


Mas eu convido você a pensar no que você tem focado, e se tem algo que você gostaria de colocar no foco da sua atenção! E para terminar, volte na imagem e me diga, o que te chama mais atenção agora??


Nota Psi: equilíbrio foco-desfoco


“Podemos direcionar o filtro para captar informações que eu quero ou preciso, ajudando a melhorar o foco.” Gosto bastante dessa frase, ainda mais se pudermos realmente entender "o que eu quero e preciso", considerando um contexto muito mais amplo desses quereres. O que eu quero e preciso também está ligado a quem eu sou, minha história de vida, e o que realmente me importa na vida. Acho também importante termos consciência da relevância do foco e também do todo ao seu redor, e talvez um movimento constante de focar e desfocar - caso contrário, caímos na armadilha de acreditar que o foco é o todo. Por isso, a dimensão da diversidade e pluralidade de histórias, contextos e trocas é uma ferramenta tão interessante para a compreensão de que somos múltiplos e usamos múltiplos filtros.


Reparei recentemente sobre esse jogo de filtros, porque a inteligência artificial cada vez mais “aprimora” ela e nos dá sugestões alinhadas às nossas preferências. O Netflix, por exemplo, nos ajuda a filtrar em meio ao seu catálogo imenso de produtos, aqueles mais alinhados às nossas preferências, com base em comportamentos e escolhas prévias. Mas, confesso que às vezes fico entediada com as sugestões tão similares, como se meus interesses fossem somente unidimensionais. Então, achar um equilíbrio entre o desfoque (e a capacidade de nos surpreender com as nossas próprias percepções) e o foco (e a busca de aperfeiçoamentos lineares) pode traduzir muito mais a complexidade e mistura que nós somos.


 

Você já está repensando nas formas que pode reajustar o foco das suas lentes? Se sim, conte-nos um pouco de suas reflexões e insights. Sua contribuição será muito bem-vinda e com certeza também aprenderemos com você! Continue acompanhando nossas publicações e postagens nas redes sociais e se envolva sempre que puder!




1 visualização0 comentário

Posts recentes

Ver tudo