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  • Carol Yu

Habilidades do Futuro e o SER no futuro


Competências e Formação do sujeito

Habilidades do Futuro. Cada vez mais ouvimos lives e palestras sobre as habilidades e competências para lidar com um futuro, que parece cada vez mais incerto e volátil. Às vezes me parece até uma tentativa de tentar prever o futuro e nos preparar para tal - como se o mundo futuro fosse algo completamente à parte de nós seres humanos, como se não houvesse uma relação direta entre os indivíduos e sociedade e o mundo externo.


E, se déssemos um passo para trás e pudéssemos pensar na importância da formação do sujeito e indivíduo como alguém que contribui ativamente e intencionalmente para este futuro, e não como alguém que tem que “gerenciar” e lidar com este mundo futuro.


Ética e Moral como Ferramentas do Futuro

A ética e a moral raramente entram como habilidades e competências. Pensamos em paramentalizar os nossos jovens de hoje com ferramentas de programação, inovação e empreendedorismo - lógicas muito mais voltadas para o mercado e capital - mas não pensamos em introduzir noções de responsabilidades éticas e morais consigo e com o outro. Prefiro pensar na necessidade de uma formação de sujeito humanizado e não no desenvolvimento de um recurso ou capital humano.


Como é possível pensar então em um mundo saudável, que tanto dizemos querer em nossos discursos, se continuamos a olhar somente para o que o “mercado” pede? A lógica do capital é de eficiência e redução de perdas - máquinas que suprem as necessidades dos sistemas. Os jovens saem hoje das escolas como mini empreendedores - com todo o mérito para um pensamento criativo e resolução de problemas. Mas, será que saem como pessoas que sabem contemplar, amar, respeitar e se frustrar?


Que jovens estamos formando para este mundo?

Talvez a reflexão não seja que mundo queremos deixar para os nossos jovens do futuro, mas que jovens queremos deixar para este mundo. Preocupações diversas dos pais sobre bullying, preconceitos, felicidades aparecem nos discursos e diversas pesquisas de intenções sobre parentalidade moderna. Mas, qual é outro caminho para isso além do resgate daquilo que deve ser vivido e aprendido, não como técnico/recurso, mas como parte da vida: angústias e frustrações com relação a si mesmo (corpo, limitações, reações, estresse), com relação ao outro (relações interpessoais em pequenos e grandes grupos, diversidade e inclusão) e com relação ao mundo.


Percebe-se hoje jovens com currículos extensos de cursos e formações empreendedoras, da cultura maker. Acho honestamente isso maravilhoso! São competências que tenho de fato curiosidade de aprender e que na minha época isso não existia. Mas, ao mesmo tempo, vejo um despreparo fundamental do conhecimento de si mesmo (autoconfiança, validação, dependências) e que tem efeitos diretos na relação com o outro que muitas vezes “mina” o potencial de co-criação. Dessa forma, o que me serve ter todo um aparato e equipamento se não sei usar da melhor forma, no melhor momento para o todo?


Construção de identidades e valores

Tem uma passagem do filme Homem-Aranha: De Volta ao Lar que acho poder ser pertinente à nossa reflexão aqui. A dinâmica entre Tony Stark e Peter Park é quase semelhante a uma dinâmica parental. Em uma determinada cena em que Peter Park tenta mostrar e por a prova o seu senso de amadurecimento e autonomia, há um diálogo que penso ilustrar que não basta apenas dar as ferramentas (o traje) para os jovens, se não ajudá-los na construção de sua própria identidade, apreciação e aceitação de si mesmo. Caso contrário, nos deparamos com uma geração de jovens com habilidades digitais e empreendedoras, sem saber no que de fato querem empreender, no que de fato tem valor e sentido para a sua vida e futuro coletivo.


Tony Stark: Eu queria que você fosse melhor. Vou precisar do traje de volta.
Peter Park: Mas eu não sou nada sem esse traje!
Tony Stark: Se você não é nada sem o traje, então você não deveria tê-lo.

A compreensão de que a própria vida tem um sentido para si, mas também para o entorno e coletivo pode ser uma saída para a formação de um Ser sustentável no futuro, que se importa de fato com o que acontece ao seu redor e que vai ter coragem o suficiente para investir em ações intencionais ainda que isso lhe cause certas angústias e dores. Prefiro pensar em um futuro em que a sociedade vai pôr a sua própria pele em risco e não se refugir por detrás de seus trajes que podem criar barreiras e virarem armaduras sociais.


Notas da neurociência

O estudo do papel das emoções tem sido cada vez mais abrangente e a relação entre o estado emocional e a aprendizagem, criatividade, e felicidade são muito estreitas. É necessário estar bem para aprender melhor, para ser criativo e inovador. O grande desafio é chegar no equilíbrio emocional para aproveitar essas potencialidades. O primeiro passo para isto é dar a devida atenção às emoções no papel formador do indivíduo e buscar aprender quais as melhores formas de desenvolver a regulação emocional.



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