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  • Carol Yu

Como ajudar meu filho a estudar melhor

O desafio dos pais e responsáveis em acompanhar os estudos dos filhos é algo constante e que não acaba nem quando os filhos entram na faculdade. O tipo de assistência é que vai mudar e precisamos entender nosso papel para fazer da melhor forma possível.


Diferentes tipos de assistências nas diferentes fases

No ensino infantil os pais precisam se envolver para ajudar na aprendizagem de letras e números. A melhor forma de fazer isto é por meio de brincadeiras, jogos e chamando atenção da criança para este universo, ou seja, exposição.


No ensino fundamental I os pais precisam muitas vezes acompanhar nas tarefas, auxiliar em trabalhos. Percebemos que os assuntos são parecidos entre as disciplinas e até mesmo com matérias do ano anterior. Por que? Porque eles precisam ser expostos várias vezes a um assunto para que aprendam.


Repetição, memória e aprendizado

Nós temos 2 tipos de memória: a de curto prazo e a de longo prazo. A memória rápida é o primeiro passo da aprendizagem, é quando uma informação chega no cérebro são feitas associações, criados contextos. E quando este assunto é repetido várias vezes, a memória vai se tornando de longo prazo.


Portanto, todo aprendizado exige que a informação seja recebida, processada no cérebro para que, com a repetição, ela seja efetivamente apreendida, ou seja que aconteça a memória de longo prazo.


Quando pensamos na criança de 4 anos é fácil, quase intuitivo, aceitar que ela precisa repetir muitas vezes até aprender. Mas o cérebro não muda a forma de aprendizagem com o crescimento. Ou seja, a criança com 12 ou 16 anos vai aprender da mesma maneira. Vai precisar ser exposta àquela informação de forma diferentes, várias e várias vezes para que ela aprenda. A grande mudança é que os pais não farão isto pelo filhos, mas terão que ensina-los ou orientá-los, para garantir que o processo de aprendizagem aconteça de forma significativa.


Dicas-chaves

1) É necessário ver as informações de formas e contextos diferentes para aumentar as associações que o cérebro faz.


2) É preciso ver as informações repetidas vezes, mas de forma ESPAÇADA.


3) Para aumentar as associações é bacana conversar e perguntar para a criança o que tem estudado, pedir para explicar algo. Neste momento o cérebro da criança vai precisar lembrar e explicar para o adulto. Pedir para a criança falar é mais fácil do que estudar junto ou tomar o ponto. Faz mais efeito. No entanto, no começo não será fácil, a criança não vai lembrar de tudo, ou não vai querer. Se por um acaso o responsável não tiver como ouvir, sugira a criança após estudar, explicar para alguém (pode sre imaginário). Sempre que possível faça comentários de como aquela informação pode fazer parte do dia a dia, relacionando com alguma viagem ou fato engraçado.


A repetição leva ao aprendizado! Esta afirmação vale para aprender a andar de bicicleta ou história do Brasil. Uma informação estudada de véspera de prova, pode gerar uma nota 8,0, mas não virar conhecimento. Ao invés de gastar 1 hora lendo e relendo uma matéria, é melhor gastar 10 minutos por dia em dias espaçados. As crianças precisarão de ajuda para organizar os estudos, para criar o hábito de estudar um pouco todos os dias, com cronograma.


Técnica Pomodoro nos estudos

Um jeito que funciona muito bem com crianças é intercalar 25 minutos de estudo focado com 5 minutos de pausa (recompensa). Esta técnica é conhecida como Pomodoro, tem app para ajudar!


Durante os 25 minutos a criança deve estar desconectada de celular, internet ou TV. E nos 5 minutos de pausa ela escolhe o que fará, uma partida de um jogo, uma olhada rápida no celular. Mas só podem ser 5 minutos.


Envolvimento e dedicação dos pais

A dedicação dos pais será em montar um cronograma de estudo com as matérias que a criança terá que estudar . Pode ser só o nome da matéria, e a criança terá que ver o que estudou na sala. Ele pode refazer exercícios, reler e explicar para “alguem”. Podemos até combinar que o estudo vai ser procurar mais sobre o assunto na internet.


Eu sei que a internet é um distrator imenso, que suga as crianças a perderem a noção do tempo. Mas acordos podem ser feitos para que se o trato feito for cumprido, outras recompensas ou benefícios serão permitidos.


Aprender é um processo lento e trabalhoso (para todos os envolvidos) e que precisa ser aprendido e treinado. E não tem como não haver envolvimento dos pais e responsáveis. O envolvimento é maior no começo, depois que a criança ganha autonomia (verdadeira, vide texto), fica mais fácil para todos. Assim como os pais ficam mais livres quando as crianças finalmente aprendem a andar de bicicleta.


Nota psi: criando um ambiente seguro (psicologicamente) para o aprendizado

Cobranças. Neste papel de apoiador e envolvido no processo de aprendizagem da criança, é necessário um cuidado para não virar mais uma fonte de cobrança ou culpabilização acerca do resultado final. Por exemplo, se a criança não for bem na prova, os pais ficam frustrados por sentir que “perderam tempo” ou que o resultado não foi compatível com o esforço/desempenho. Deve-se lembrar que o resultado depende de inúmeros fatores, e não somente do tempo dedicado aos estudos - depende das condições no dia da prova. Se bastasse apenas o esforço para um resultado positivo, as notas de aprovação em provas e vestibulares seriam altíssimas. O esforço de acompanhar os filhos, dedicar tempo a eles deve ser associado à experiência do aprendizado, do aprender a aprender, para todos os envolvidos. Ter um ambiente seguro psicologicamente também auxilia neste processo, pois níveis de angústias e ansiedades estão mais baixas e níveis de bem-estar mais altos.



 

Não é uma fórmula de bolo, mas é o caminho das pedras. Claro, também não é o único caminho. Conte um pouco das suas experiências em ajudar os seus filhos a estudar, os desafios e também as conquistas (e falhas e risadas) deste processo! Continue acompanhando nossas publicações para mais insights trazidos pela nossa neurocientista e psicóloga.


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