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  • Carol Yu

Bem estar passageiro


O que deixa uma pessoa se sentindo bem, feliz? As respostas são variadas, cada um gosta de algo, ou cada um tem seus sonhos e desejos. No entanto, todos devem concordar que não estamos “BEM” o tempo todo. A sensação de felicidade é algo que vai e volta. A frequência que temos nestes momentos felizes que geram uma sensação de bem estar é que vai acabar contribuindo para a nossa percepção geral para dizer : eu estou bem, eu sou feliz.


O que a ciência (e o cérebro) têm a dizer sobre o bem-estar

A ciência tem estudado sobre a percepção do bem estar e existem fatos que são comuns a todos, independente das vivências prévias de cada um. São características do funcionamento do cérebro humano.


O cérebro funciona com base na troca de informações captadas (informações sensoriais), que são processadas e transformadas em outras informações que podem ser: sentimentos, pensamentos e comportamentos. Para que não haja excesso de informações ou processamentos, parte das informações sofre uma inibição, é como se o cérebro deixasse de perceber algo, para se ocupar com algo mais importante. Por exemplo, no momento que colocamos uma roupa, sentimos: temperatura, textura, as compressões, mas depois de um tempo deixamos de perceber tudo isto, a não ser que a gente preste atenção. Este fenômeno é chamado de adaptação.


Este fenômeno também acontece sobre a nossa percepção de felicidade ou tristeza. Depois de um tempo nos adaptamos aquele estímulo que é constante, que está sempre ali. No caso dos estímulos que nos deixam felizes ou tristes tem um nome específico: Adaptação hedônica. A palavra tem origem em hedonismo que tem relação com prazer absoluto. O sentido desta adaptação é que depois de um tempo, estímulos que nos “deixam" felizes ou tristes não surtem mais tanto efeito e voltamos a uma normalidade.


Vamos a exemplos e o que fazer com este conhecimento

Quando estamos querendo muito um celular novo, temos certeza que comprar ou ganhar vai trazer um alto nível de felicidade. Ganhamos! Uau!! É muita alegria, falamos e pensamos nisso alguns dias e logo uma semana passa e já estamos pensando em algo diferente para sermos felizes, pois depois de 2 semanas ninguém tem aquela euforia de abrir a caixa do celular novo!


O mesmo acontece com um carro novo, com um emprego, uma promoção. Queremos muito algo, e assim que conseguimos, não precisa de muito tempo para logo já estarmos desejando algo diferente. Este desejo por algo que está sempre além do que já temos é consequência da adaptação hedônica. E infelizmente acaba deixando a sensação que a felicidade está sempre no futuro, no que vai vir depois, no que ainda não se tem.


A vantagem da adaptação hedônica é que ela também acontece para situações ruins como com o término de namoro. Nos sentimos muito mal, mas depois de um tempo já estamos no normal de novo.


Um agravante desta adaptação é que o cérebro não percebe que sofre esta adaptação, e geralmente superestimamos o impacto de algo no futuro tanto em intensidade e duração. Prevemos catástrofes, sofremos de antemão por situações que vão passar, assim como acreditamos erroneamente em uma felicidade relacionada a algo que não vai durar.


O que a ciência tem mostrado é que conhecendo a adaptação hedônica podemos usar algumas estratégias para aumentar a percepção de bem estar. Se queremos reduzir um sentimento ruim, devemos evitar que ele seja lembrado toda hora, ou revivido. Intencionalmente podemos mudar o foco dos pensamentos, não abrir as redes sociais e procurar o ex.


Já se queremos que a sensação de felicidade permaneça mais tempo precisamos fazer com que o cérebro não esqueça as coisas boas! Podemos intencionalmente relembrar momentos bons, curtir uma música legal e ser grato por ter um celular novo rsrsr.


Consumo x Experiência e a adaptação hedônica

Uma característica muito importante de perceber é que bens de consumo geralmente sofrem uma adaptação muito rápida. Ao ganhar um celular: fica-se feliz, comenta e mostra para os amigos e pronto, logo não tem porque falar mais desta novidade. Adaptamos rápido exatamente para que elas estão no nosso dia a dia, não chamam mais atenção. Ou seja, coisas que duram muito sofrem adaptação hedônica com maior facilidade, por que vemos muito tempo ou muitas vezes. Já experiências com viagens, por exemplo, geram maior percepção de bem estar e felicidade! Viagens não duram demais, não são iguais todos os dias. As pesquisas mostram que geralmente investir dinheiro em experiências traz mais felicidade porque não dá tempo de sofrer adaptação.


Além disso, planejar uma viagem gera entusiasmo e compartilhar sobre a viagem com amigos também eleva o nível de bem estar. Enquanto a compra de algo material está mais atrelado a sentimentos de ansiedade para que o objeto chegue, e ainda, ao mostrar para amigos pode gerar comparações ou desconforto.


Estas são 2 dicas importantes que podemos aplicar no nosso dia a dia para driblar a adaptação hedônica. Tente, experimente e treine ;)


Nota psi: qual o bem-estar que eu realmente busco?

Além das dicas acima citadas e uma consciência maior de como podemos treinar o cérebro a apreender mais sobre essas experiências, diria que é importante um autoconhecimento para também descobrir de fato aquilo que realmente te traz um bem-estar (ainda que passageiro). Imagine que o cérebro passa por todo esse processo e no fim descobre que não era exatamente isso que queria. Será que quero mesmo aquela promoção ou na verdade eu gostaria de buscar um outro ambiente de crescimento? Será que quero mesmo aquele celular novo de última geração ou preferiria ir à última exposição ou simplesmente ir tomar um café na padaria da esquina que já sou cliente de longa data? Saber realmente o que você quer, o tipo de bem-estar que proporciona também ajudaria o seu cérebro no trabalho dele de interpretar e analisar todas essas sinapses que criamos. Podemos alimentar o cérebro com insumos mais apropriados!



 

Praticou as dicas aqui do blog? Notou alguma percepção diferente sobre o bem-estar? Compartilhe conosco, quem sabe outras pessoas (e nós) também possam aprender com as suas práticas? Continue envolvendo-se!


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